Retina POP

No liquidificador, a cultura POP

Arquivo para Janeiro, 2008

Na mente: a forma de dialogar de forma clara e concisa. As idéias sendo apresentadas uma-a-uma, num crescendo invejável e palavras rebuscadas. Um ponto final como respiro. Uma exclamação para impressionar – e impressionava!

Demorou algumas horas para conceber a forma.

“Se eu testar toda a métrica e ser acessível eu posso…?” Formulava perguntas e perguntas. As respostas, como a mesma prontidão de um amante apaixonado, se encaixavam. Mas onde? Eu quero um miojo! Eis uma premissa. Mas de que sabor? O tempero? É o tempero seria vermelho, com folhas verdes… mas de que sabor?

E assim pesquisou todas as possíveis fontes. No ínterim apaixonou-se por alguns segundos, e agora já é cínico. Está tudo muito bem pensado, planejado… houve, há uma vontade! Água borbulhando, garfo, saliva e fome mas…

Alguém me propõe um tema?

Line up do Coachella 2008

Se eu fosse um ser endinheirado não perderia por nada: Portishead apresentando as músicas do novo albúm. Os nerds do Hot Chip. Justice, Mark Ronsom, Calvin Harris, MIA…
Ah a pobreza!

Goldfrapp – A&E

Eles já foram cinematográficos e passearam com a turma do glam-chic. A nova onda do Goldfrapp é se perder em bosques povoados por seres encantados. É ser lúdico e brisante. O disco “Seventh Tree” (da forma burocrática), ainda não saiu mas o single A&E já tem videoclipe registrando esta metamorfose. Viaje com a banda você também:

luz negra

Sempre eu vivo procurando alguém que sofre como eu também e não consigo achar ninguém sempre e a vida vai seguindo assim não tenho quem tem dó de mim estou chegando ao fim

Justin Timberlake no Brasil!

Deu no site da Capricho (ta a fonte é risível, mas a notícia é boa). O astro POP Justin Timberlake, após fazer show para toda a realeza do primeiro mundo, olha pra turma de baixo e realiza concertos na América Latina. Claro que o Brasil, e mais especificamente São Paulo e Rio de Janeiro estão no roteiro do ex-Nsync. Os dias 24 (em São Paulo) e 25 (Rio) foram escolhidos para a turnê FutureSex/loveShow Tour. Quem afirma é o empresário Gabriel Simas, do Café da Música (responsável por trazer a turma do My Chemical Romance).

Eu já to economizando e você?
UPDATE:Segundo o mesmo empresário o cantor-sensação-pop “Mika” será o headline do Tim Festival deste ano. Ah meu porquinho!

Top “POP” Hits

As 5 mais do Ipod (sim, agora eu tenho um!) de 01/11 de Janeiro

1. You Know Me Better – Roísin Murphy
A ex-vocalista do Moloko, agora ataca de Disco Diva. You Know me Better é como se Donna Summer, Madonna e Amy Winehouse habitassem o mesmo corpo. Cheia de gemidos e uma batida engenhosa, a canção é um convite irresistível para suar numa dancefloor qualquer.

2. Road to Somewhere – Goldfrapp
A turma do Goldfrapp sempre primou pelo glam-chic em suas canções estridentes. Agora com “Seventh Tree” (o albúm a ser lançado em fevereiro, mas que já caiu na rede) a sonoridade soa como um bom baseado, uma “subida na montanha” – etéreo. “Road to Somewhere” é tão inebriante que faz você repensar o uso de qualquer substância tarja-preta.

3. Luz Negra – Fernanda Takai
Fernanda Takai grava Nara Leão. John Ulhoa na produção. Não preciso dizer mais nada…

4. Nite Runner – Duran Duran
Timbaland + Duran Duran + Justin Timberlake = batidão descartável mas irresistível.
5. In My Arms – Kylie Minogue
Provando que sabe criar melodias POP como sempre, Minogue pergunta: “como você se sente em meus braços?”. A resposta é óbvia.

The One (canção do albúm X) no Kylie Show

Bonde Do Role – ‘Marina Gasolina’

Minha canção predileta (da já finada banda) Bonde do Rolê, ganha um videoclipe. A letra que dedico à minha fiel-escudeira-comparsa Marina Takeda não fala nada com nada – ou se diz o faz até demais. Fica a dica pros leitores “moderninhos” de plantão, o pancadão: Marina Gasolina.

PS: Ah, se tiverem tempo, baixem o som do Afrika Bambatta, que eles citam na música. É funk music embrionária.

Papo de Nerd

Niilista

Júlio agora, sentindo vontade de não acordar, desperta na madrugada. O álcool agora é companheiro de noites efusivas. O álcool agora proporciona alguns segundos de puro desespero. Uma luta perdida e lá fora fritam ovos. Cheiro de gordura velha. Aspira angustiado a fome de alguém, que por algum motivo que “foda-se” quer emagrecer. A vizinha que o espreita o tempo todo é mais uma imagem. Descalço, geladeira, água gelada e bocejo.

Se nada acontece aqui, nada acontece lá. Nada acontece sempre, nada acontece agora. E se andar cabisbaixo for sinônimo de fraqueza, Júlio é o Wolverine. Que se não perfura seu chefe com garras de Adamantium, lê bons livros. Que se não estabiliza com auto-confiança perto de algum grupo de pessoas determinadas a salvar o mundo, sabe como destilar mau-humor de forma repugnante.

Agora sentado, a cama já arrumada e o tênis amarrado com um nó. Com uma camisa verde e uma série de pensamentos de como fazer o mesmo de forma irrepreensível – igual. E como todo o minuto soa como o ontem, menos um. Menos um matematicamente. Menos um descrente em você. Está viciado nesta carga obscura, simplista, amoral, sem-vergonha, fudida… vida de merda. Merda de vida.

O Protocolo

Sair com a Lorena é divertido porque a gente acaba sendo encontrando as melhores definições para os nossos atos. A última delas foi o tal do “Protocolo“, ou seja, aqueles livros e filmes que de tão BONS, COMENTADOS E RECOMENDADOS, precisamos assistir. Ou seja é protocolar, tá no contrato… assista! Meu último filme “de protocolo” foi o cultuado “Os Sonhadores” (The Dreamers, 2003) do Bertolucci (é, ele já ganhou um Oscar e é o maior fodão). Pois que o filme seja ótimo é um pré-requisito obrigatório e neste campo a saga dos jovens libertinos-cinéfilos-cools dos anos 60, não decepciona.

A história de forma rápida e preguiçosa: três jovens cinéfilos dos caóticos anos 60 se encontram, se apaixonam, discutem cinema, política e claro… fazem sexo! Muito sexo! Eva Green nunca esteve tão nua! (tá eu paro com frases sensacionalistas). “Os Sonhadores” (pra usar uma afirmação clichê) é mais uma declaração de amor de Bernardo Bertolucci ao cinema. Mais do que o desejo sexual, o que une aqueles três jovens é a obsessão pelas grandes obras do cinema e o recurso do cineasta em entrecortar fatos importantes da vida deles, com cenas destes filmes só reforçam minha (óbvia) afirmação.

Duas grandes cenas: a transa na cozinha com um desfecho genial, pra não dizer bizarro. O diálogo na banheira.
Uma conclusão: Matthew e Theo (Louis Garrel, o francês por excelência) se amavam intelectualmente (isto é possível, eu acho) e Isabelle representava o desejo carnal da relação a três (muito bem encenado por sinal….)

Caros leitores, muito obrigado por mais esta resenha de protocolo.

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