Retina POP
No liquidificador, a cultura POPArquivo para pequenas crônicas
Na mente: a forma de dialogar de forma clara e concisa. As idéias sendo apresentadas uma-a-uma, num crescendo invejável e palavras rebuscadas. Um ponto final como respiro. Uma exclamação para impressionar – e impressionava!
Demorou algumas horas para conceber a forma.
“Se eu testar toda a métrica e ser acessível eu posso…?” Formulava perguntas e perguntas. As respostas, como a mesma prontidão de um amante apaixonado, se encaixavam. Mas onde? Eu quero um miojo! Eis uma premissa. Mas de que sabor? O tempero? É o tempero seria vermelho, com folhas verdes… mas de que sabor?
E assim pesquisou todas as possíveis fontes. No ínterim apaixonou-se por alguns segundos, e agora já é cínico. Está tudo muito bem pensado, planejado… houve, há uma vontade! Água borbulhando, garfo, saliva e fome mas…
Alguém me propõe um tema?
Niilista
Júlio agora, sentindo vontade de não acordar, desperta na madrugada. O álcool agora é companheiro de noites efusivas. O álcool agora proporciona alguns segundos de puro desespero. Uma luta perdida e lá fora fritam ovos. Cheiro de gordura velha. Aspira angustiado a fome de alguém, que por algum motivo que “foda-se” quer emagrecer. A vizinha que o espreita o tempo todo é mais uma imagem. Descalço, geladeira, água gelada e bocejo.
Se nada acontece aqui, nada acontece lá. Nada acontece sempre, nada acontece agora. E se andar cabisbaixo for sinônimo de fraqueza, Júlio é o Wolverine. Que se não perfura seu chefe com garras de Adamantium, lê bons livros. Que se não estabiliza com auto-confiança perto de algum grupo de pessoas determinadas a salvar o mundo, sabe como destilar mau-humor de forma repugnante.
Agora sentado, a cama já arrumada e o tênis amarrado com um nó. Com uma camisa verde e uma série de pensamentos de como fazer o mesmo de forma irrepreensível – igual. E como todo o minuto soa como o ontem, menos um. Menos um matematicamente. Menos um descrente em você. Está viciado nesta carga obscura, simplista, amoral, sem-vergonha, fudida… vida de merda. Merda de vida.
Tam tam tam tam taraaam! E dos porões do jornalismo canalha, das redações tendenciosas, dos blogs “despojados”, eis que surge um super herói imbatível. Aquele que de tudo sabe, mas não sabe nada. Aquele que não admite o furto de um rolex e assiste o “Caldeirão do Huck”. Que é adepto da tortura no combate ao tráfico, acha o Renan Calheiros um calhorda e votou no Lula. Lê a Folha, o Estadão, a Playboy (da Veloso) e na hora do lanche, o Lance! Vê todos os filmes no cinema e odeia cinema francês. É simpatizante do Super-Homem e adora desenhos japoneses. Próximo presidente? Aécio Neves, claro!
Seus poderes se resumem numa frase: “sou eclético”. Escuta Novos Baianos, Raul, Calypso e em fevereiro, tem queda pelo axé. Fica inconformado quando a novela das 8 não vai bem no IBOPE, mas acha esta disputa toda uma bobagem. Viva o rock, o rock morreu! Quer ter seu legado para a posterioridade, adotando toda moda, de cada primeira página de todos os cadernos. O pluralismo lhe dá poderes. Alguém já sentiu o impacto devastador da “Linha Única de Pensamento”? Nietzsche. Markun. Roberto Marinho. Caco Barcellos. Família Mesquita. É a favor do aborto (mas sua filha não sai de casa!). Ama a esposa e o melhor amigo. É único e de todos. Erudito e popular. Um país, uma nação, um corpo… Curvem-se, aclamem, adotem e chamem no alto de sua falta de opinião, aquele que detém todas… O HOMEM MASSA!
Caro amigo Júnior
Desista de São Paulo. Eu sei que pareço deslumbrado e cheio de histórias a cada vez que te vejo, mas esclareço: é balela. Esta cidade enlouquece pior que o Vietnã de Marlon Brando. Não é preciso soldados, vietnamitas, bombas e guerras (apesar dos assaltos, bandidos e soldados morarem logo ao lado) e sim um único e simplório ônibus. Visualize: você sai de casa todo perfumado, dentes escovados, camisa engomadinha… um príncipe. No pequeno trajeto da sua casa até o ponto de ônibus planeja a melhor forma de solucionar algum problema diário. Agora no ponto. Dez, quinze, vinte, trinta minutos tostando num sol desgraçado (ontem você passou frio, mas choveu de manhã e agora está sol). A abóbora chega lotada, e você já não está mais pronto para a festa.
eu e ela
All-Star
Voltou?
Sujo e molhado.
Feliz e satisfeito?
Com histórias interessantes.
Com memórias afetivas.
Pisoteado, apertado por elas
Oportunidades perfeitas de aprender
que nem tudo é parecer
Mas perceber e sentir sempre.
As sensações simétricas e rápidas
O sexo fácil e mal feito
O beijo rápido com ar rarefeito.
A falta de ar, o estômago gelando
Música baixa e suor secando
Cama desfeita, roupas jogadas
Meias sujas colocadas
Vida estagnada
Nó.
Arlecchino
Carla hesitou. Suco de laranja ou maracujá? Sonífero potente ou sabor revigorante? Olha para a simpática atendente. O uniforme vermelho, sorriso grande. Morango? Não… “vai que é suco de polpa…” Eles nunca costumam ter gosto de morango. Foi quando parou, um pensamento bobo. A falsa imagem (paladar?) do morango “docinho”, quando na verdade amargo. Entra o leite condensado no devaneio. A combinação da fruta com o leite altamente calórico a levam numa comparação improvável – sua vida. O elemento adoçante… Era o morango? O leite?
- De uva por favor!
A frase esganiçada desperta a atenção de alguém à duas mesas e três sussurros atrás. Um sorriso desconcertado, um timbre único entre todos. Mais uma vez personagens numa narrativa irregular estão compromissados com o acaso, com um autor que escreve para aliviar (agora) a tensão. Ele não teve dúvidas (o escritor? O rapaz?) mas aproximou-se dela de forma tão sorrateira e não pôde conter a surpresa com o gesto. Ao redor um senhor de chapéu prossegue com uma discussão calorosa com o rapaz de Adidas.
- Meu pai tem uma vínicola!
- O que?
- Oras, uma vínicola…
Ela não acredita. Ele, frases desconexas. Ela o compreende.
Esfihas, tortas de limão, casadinhos, chicletes de hortelã. Liqüidificador, barulho, tensão.
Não. Sim. Como? Claro! Sério? Não creio. Mas…Ahn? Há-há. E se? Hum? Nós? Não! Sim. Sim!
Penso. logo exist... hesito!
Eu tenho uma teoria (dentre várias) maluca. Tá certo que depois que assisti Show de Truman ela caiu por terra, mas eu ainda tomo esta paranóia como lógica de vida. Paro de enrolar: eu sou vigiado! Sim, é isto que você leu. Acredito que sou o personagem principal da Terra e todos meus atos são minuciosamente observados por um todo. Já tive o “todo” como Deus e não deu certo, mas esta é outra história. Os cínicos chamariam isto de egocentrismo – e não estariam errado (não comigo)! Os religiosos de ateísmo, heresia, falta de crendice (não acho)! O que difere Truman de Alex Kidd, além do talento excepcional de Jim Carrey, é como a ficção encara estas teorias e questionamentos malucos: com humor. Pensar na eterna vigilância é desconfortante. É ensaiar seus gestos. Ser um boneco de si mesmo.
fricote

ter fricote é precisar escrever este texto
explicando o fricote
é como achar que nada funciona
é ver falta de glamour na rotina
é enxerga-la como passatempo
e se conformar com isto
ter fricote é andar sempre dois
passos atrás mesmo quando
a mente está milhas à frente
é repetir a mesma pergunta e
a mesma deficiência de propósito
é não sorrir largamente
tudo é problema, tudo é
sério, é grave… o fricote
é ouvir um música imbecil
ou suportar três minutos de pura
chatice por pura tolice
é olhar semicerrado
falar sussurrado
fingir que não vê
ouvir e balançar a cabeça
querer que o mundo te esqueça
receber aplausos com louvor
os problemas reais
os problemas banais
os que martelam
os que preocupam
e os que matam
não são fricotes
são problemas
problemas não são fricotes
fri-co-te
#77
Terminal
No Limbo…
eu formulo teorias escassas
eu confundo as imagens
penso em vodus
“em sacrificio tudo o que não posso ser, mas ter…
uma idéia vaga de unidade”
eu critico meu mundinho
eu não saio dele!
lanches gordurosos
bonequinhos de plástico
tecidos vibrantes
apogeu
salto, queda
eu…
relaxo, mas não gozo!
clipe do dia
Vamos salvar o planeta? Esta é a intenção de Al Gore e de uma penca de artistas (que seja por publicidade ou não) vão tocar no Live Earth. Hey you????










Kirsten na rehab e o final sanguinolento.
Chega Trey e finalmente a temporada começa a engrenar!
Episódio cheio de incoêrencias sobre espaço/tempo e o beijo-clichê-antológico de Summer e Seth :)
Trilha-sonora legal e... eu aceitaria a oferta da Summer no leilão!
Porque todos temos o direito de levar uma vida fútil.