Retina POP
No liquidificador, a cultura POPArquivo para televisão
The OC – Terceira Temporada ***

Foram 1087 minutos – e assim termino mais uma temporada do fenômeno POP do verão retrasado: The OC. Em Newport acontecimentos bizarros não tiram férias, e os roteiristas mais uma vez apelaram para várias artimanhas para recuperar o pique da história (terrivelmente prejudicado pela falta de sal do ano anterior).
As mudanças: Julie Cooper está pobre, Marissa (pra variar….) cheia de traumas por quase matar o irmão do Ryan – que agora luta contra sua natureza violenta. Seth e Summer ganham a responsabilidade de serem os heróis da história enquanto Sandy herda o legado de escandâlos de Caleb Nichol assumindo a liderança do Newport Group. Novos personagens entram na história, mas nenhum deles (com exceção da Taylor) chegam a ser marcantes já que são terrivelmente desenvolvidos e interpretados.
Comparada com a season anterior, esta última ganha nos diálogos (Seth Cohen mais uma vez tem sua parcela de culpa, neste “padrão de qualidade”). Um outro detalhe legal, é a reação menos trágica dos personagens em relação aos conflitos propostos – claro que Miss Coop não se aplica aqui. Empobrecer Julie, se não é uma idéia genial, ao menos proporciona boas gargalhadas. Summer vira a mocinha da história (assista a primeira temporada e não reconheça aquela little bitch). Todos os personagens (seja fumando maconha, catalizando a raiva num saco de pancadas, bebendo…) acabam amadurecendo.
Infelizmente (e este acaba sendo o mal de quase todo o seriado televisivo) não podemos escapar dos famosos episódios “enche-linguiça” e um especialmente aqui é irritante: “A Viagem” – o argumento: Ryan viaja com a “pegada-morena-da-vez” para reclamar meses de pensão de um personagem (Jonny, insuportável) morto. (!) Outro problema é deixar Kirsten como coadjuvante mesmo com todo o potencial pós-rehab pedindo para ser explorado. OC acaba suavizando os temas sérios.
Enfim, não dá pra exigir muito de uma série teen mesmo (já encomendei House e Desperate Housewives com meus fornecedores). Muitas coisas ocorreram debaixo do sol da California e o final aqui, acaba sendo um anti-clímax que revoltou os fãs e resultou numa das causas do cancelamento da série – a quarta temporada é a última. Já me alertaram quanto à chatice dela, mas como já sou quase um big broher de Newport… preciso descobrir o que acontece com Ryan e Cia. So…
Califoooornia, Califooornia!
A Primeira Temporada a gente nunca esquece…

E não é que finalmente consegui acompanhar a temporada inteira de um seriado? Nunca consegui me prender a trajetória de nenhum enlatado, mas depois de ser bombardeado diariamente pelo Marquinhos e pelo Fochetto, com estes dramas televisivos alheios elego uma série bem “fácil” para assistir: The OC. E não é que legal minha gente? O cotidiano da classe mais alta de NewPort vicia de forma desesperadora.
A história (criada pelo espertão Josh Schwartz) é tão redondinha, cheia de ganchos, personagens e falas (Seth Cohen?) interessantes que é impossível não comer o miojo em frente à tela. Ryan Atwood é um jovem sem lá muitas oportunidades. Sua mãe alcoolatra, o irmão bandido… até que ele acha em Sandy Cohen uma segunda chance. E dá-lhe o luxo de seu novo lar, o “irmão” autista e oh céus…. Marisa! Resumindo a ópera é uma Malhação com o padrão hollywoodiano de qualidade.
Os personagens são ótimos. Ryan é o protagonista fechadão. Marisa a patricinha problemática-linda-rica-bonita. Summer, a amiga engraçada estepe. E Seth Cohen, o melhor personagem da trama até em seus momentos mais chatos… o rapaz tem as melhores falas… e convenhamos, é o nerd com as melhores camisas pólo do mundo!
Esta primeira temporada começa quente com muita ação, drama e angústia. Depois fica romantiquinha puxando para o dramalhão. Depois foca nos dramas adultos (na ciranda Sandy, Kiki, Julie Cooper
Hailey, etc.) Entram Oliver e Theresa pra chatear um pouco e o climax é bem tristonho. Mas é tudo muito envolvente, bobo, descartável e memorável.
O Marquinhos já se encarregou de renovar o estoque desta minha droga. A Segunda Temporada está na estante. Mas agora um viciado em seriados confesso, estou alternando OC com um outro seriado (depois eu conto tudo).
Um amigo me recomendou ter cuidado para não se tornar um esquizofrênico. Misturar as coisas e achar que a vida é um seriado. Não que eu ache péssimo morar em Califooooornia e trajar uma pólo mais linda que a outra…
here we cooooooooooooome!
o retinaPOP entrevista…

Eles são lindos, famosos e compulsivos por seriado. Caio Fochetto, Ana e K resolveram aderir à moda dos blogs para falar da atividade que consome um bom tempo de suas vidas normais: grudar a retina nas “novelas’ norte-americanas. Box Fechado de forma bem humorada comenta detalhes das histórias que só quem é fã mesmo nota. Por MSN, Fochetto fala com exclusividade para o retinaPOP:

Fale mais sobre o blog
Caio diz: O intuito do blog é ser informativo, ao mesmo tempo que pretendemos divertir quem nos lê. A dificuldade é essa. Acho que mais gongamos as séries do que falamos bem. Mas é como a gente se diverte. Só falamos mal do que gostamos muito. A Carrie Bradshaw, por exemplo! Tadinha, sofreu na nossa mão. Amamos algumas séries e queremos mantê-las vivas. Achamos que muitos também pensam assim, então junte-se!
Caio diz: antes eu achava que personagens cativantes e bons diálogos seriam garantias de sucesso. Agora sei q estou enganado. Nem mesmo ser vencedor de um emmy pode garantir o sucesso de uma série, senão ainda teríamos maravilhas como Studio 60 para ver. Mas tudo é relativo. Hoje acho que estar na tela já é reflexo de sucesso, afinal atingiu alguém e continua atingindo.
Alex Kid diz:Qual seu seriado predileto?
Caio diz: não sei. Sou de fases. Das que acabaram… Tô na fase Gilmore Girls. A fase The O.C. foi bem forte. Há tempos estava enjoado de Friends, mas agora já estamos de bem… Will and Grace e Sex and the City são ótimas. Das que estão na TV, Ugly Betty e LOST. Acho que LOST é a que mais gosto.
Caio diz: Queima o filme escolher a Samantha, de Sex and the City, pq todo mundo é preconceituoso. Mas ela é bem sucedida e tem uma vida sexual bem agitada. Vive em festas, restaurantes de finos, roupas chics… Eu queria ser como a Samantha!
Caio diz - Dar um pé na bunda da sonia braga e catar coisa melhor! Sonia braga só é boa como narradora morta em Donas de casa desesperadas. Lá tudo está no mesmo nível: zero!
ok o retinapop agradece fochetto!
Na cara de uma das caras
O elenco é de peso, mas aquém do potencial. A trama parece engessada e talvez a inclusão de alguns personagens (Lázaro Ramos tem cacife pra isso) decole. Erraram na escolha de Dalton Vigh e Marjorie Estiano, apáticos nos papéis. Letícia Spiller repete o gênero gostosona agora “mãe de família” e Fagundes apenas mudou de horário: Pedro trocou os caminhões pela favela.
Ainda estamos na primeira semana de folhetim e vale lembrar que Aguinaldo detém o recorde de audîência da década com Senhora do Destino. A trama é boa, os conflitos também prometem. Talvez, ainda sob efeito da narrativa ágil de Gilberto Braga, perdemos o costume de uma grande história contada aos poucos. Preocupada em ser uma crítica da nossa realidade, Duas Caras tem mostrado de forma (chata?) apenas uma delas.
PS: o trocadilho do título é crédito de Rodrigo Guidotti
Verborragia POP
Leitura obrigatória para todos os estudantes de comunicação, a obra-prima de Caco Barcellos é recomendada pelos professores, assim como os religiosos impõem a Bíblia. Peguei o camalhaço do tráfico e fiquei convertido sim, pela figura fascinante de Juliano (Marcinho) VP. Talvez pela parcialidade de Caco que permeia todas as páginas ou por Juliano ser mesmo uma espécie de revolucionário à sua maneira. Seus atos que às vezes não correspondiam com que se esperava de um dono do morro (vide quando preferiu ser motivo de piada à matar uma esposa infiel) e quando começa a acreditar numa nova forma de gerência na boca e no tráfico, com fortes idéias humanistas e sociais o tornam cativante. Infelizmente Barcellos com uma narrativa confusa, cheias de flashbacks incompreensíveis torna a leitura cansativa. Talvez a pressa em terminar o livro, que teve sua concepção denunciada numa CPI (que levantava o envolvimento da polícia com o tráfico) contribuíram pra falta deste “tempero”. Vencedor do Prêmio Jabuti (honra máxima da literatura nacional), Abusado como relato de uma realidade nem um pouco alheia a nossa é chocante. Como literatura (o que talvez nem seja a pretensão de Barcellos) está aquém de um Truman Capote.
Quem matou Taís Grimaldi?
por Caio Figowitz
Mais uma vez o recurso de “quem matou fulano?” é lançado mão pelo autor dessa ou daquela novela. Agora é (mais uma) vez de Gilberto Braga em “Paraíso Tropical“, que contrariando, os clássicos teledramaturgicos, está sendo escrita por não só por uma, mas por cinco pares de mãos.
É o reflexo da tecnologia. Tecnologia essa que tira um pouco do frisson que esse recurso, o de “quem matou….”, gera nos telespectadores noveleiros de plantão. Se a pessoa não tem acesso a internet, as redações das revistas populares fazem esse serviço, antecipando capítulos ou até meses do folhetim.
Nessa novela em questão , “Paraíso Tropical”, a dinâmica dos capítulos já aderiu a essa modernidade, ou melhor já se adaptou ao imediatismo e deixou as tramas mais rápidas e com menos tempo de duração do começo ao fim do acontecido. Tudo acontece e tem começo, meio e fim em menos de uma semana, um contraposto com o passado onde só para o mocinho saber que o seu pai não era o “Marcelo” e sim o “Atílio”( não lembro que novela era, mas o Atílio era o Antônio Fagundes e o filho em questão era o Fábio Assunção).
De qualquer forma o tempo moderno, de rapidez na informação e na obtenção da mesma , trouxe uma nova teledramaturgia. Aquele folhetim que não tem mais tempo para enrolar e nos deixar presos aos próximos capítulos, que convenhamos não traziam nada de especial se não antes de um mês de exibição.
Ainda sou adepto a demora para a descoberta do assassino, e até a favor de uma bolsazinha de aposta, que movimentava o nosso dia-a-dia, seja no trabalho, escola ou conversa de botequim.
Tivemos Salomão Ayala, Odete Roitman e mais recentemente Lineu. Foram tramas bem engedradas, com todo o elenco envolvido, e quando menos se esperava o menos suspeito era o culpado.
Não tenho dúvidas que a equipe de redação de “Paraíso Tropical” fará o mesmo, mas só que o gostinho de meses para saber quem foi, será antecipado por alguma revista ou até mesmo pelo site da Globo.
Enfim “Quem matou Taís?” Acho que foi o Belisário.
O assassinato não foi dos mais inspirados e dá a idéia de que Taís pode ter cometido suicídio.
Passando a limpo
#74
Das 6, das 7, das 8… a arte de ver (e criticar) as telenovelas
Fórmulas batidas, linguagens novas que fracassam e a volta por cima de Gilberto Braga. O retinaPOP comenta as atuais produções da teledramaturgia da Vênus Platinada.No horário das 6, temos a chatíssima Eterna Magia. Confiada nas mãos da estreante Elizabeth Jhin, o folhetim mesmo com toda a grana investida, não emplaca. Erraram na escolha da protagonista (Maria Flor já não mostrava serviço como coadjuvante em Belíssima, aqui está pior), Malu Mader está burocrática e Thiago Lacerda (outro galã!) no piloto automático. O alívio cômico ficou com Lívia Falcão (a engraçadíssima Regina da Glória também de Belíssima) mas aqui (como o texto não tem o toque do mestre) soa forçada. Se alguma coisa se salva é a direção de arte (requintada), a trilha sonora climática e os trabalhos magníficos de Irene Ravache e Cássia Kiss (terrivelmente parecida com Merly Streep em O Diabo veste Prada). Quando começarem as temíveis bruxarias, pode ser que melhore. Só não troquem o Paulo Coelho de função!
O horário das 7 está na UTI. Depois de José Emanuel Carneiro e suas “Cobras & Lagartos” o horário não emplacou nada. Pé na Jaca foi uma novela confusa, até mais non-sense que Cobras… mas não emplacou. Carlos Lombardi definitivamente refinou seu estilo e perdeu o apoio das massas (que adorava o apelo erótico de suas tramas). A proposta de narrativa era interessante: entrecortar várias histórias e depois interligá-las… mas o povo não entendeu. Quem se deu bem foi Fernanda Lima que (ao meu ver) calou a nossa boca descrente após o fiasco Bang-Bang. O elenco todo estava bem intencionado, a abertura era uma graça, mas não vai ser um folhetim memorável.
E quem está triunfante é o nosso velho Gilberto Braga. Como já disse o autor uma vez “escrever pro horário das 8 é loteria”. Ousado, para Braga os riscos são maiores. A novela começou com temas “fortes”: prostituição, violência, trambiques (em parte para trazer de volta a audiência migrada para Record, e sua violentíssima Vidas Opostas). A audiência não mantinha o nível das antecessoras, o público se assustou. Raposa velha como é, Gilberto contornou o problema. Suavizou alguns personagens (a forma como Olavo se viu apaixonado pela prostituta Bebel, é um marco para o autor e seus vilões inescrupulosos), diminuiu o ritmo ágil (mas sem deixar de ser prolixo) enfim… humanizou a trama. Some interpretações dignas do elenco (Tony Ramos está fantástico) e Paraíso Tropical caiu no gosto dos telespectadores. Coisa de “profissa” – segundo o bordão.
#71
Os grandes papéis da Mãe
por Rodrigo Guidotti
O coração materno é associado ao grande, e somente um grande novelista poderá caber-se nele e dele fazer-se imagem na tela da tevê.
Silvio de Abreu é este grande novelista que levantou discussão ao mostrar em Torre de Babel uma mãe que, no auge da angústia, deu dinheiro ao filho viciado para que ele pudesse comprar drogas, tamanho sofrimento em que ele se encontrava devido a abstinência. Quais são os limites do propósito materno para o bem de seus filhos, mesmo que este bem seja algo condenável perante a sociedade.
A figura da mãe sempre ocupou lugar de destaque em suas obras, sendo até título de uma de suas novelas, As Filhas da Mãe, onde esta mãe que encabeça a trama travava uma batalha para juntar suas queridas filhas que a vida e a maldade trataram de separar. E mesmo quando juntas, a mãe, Lulu de Luxemburgo, lutou para vê-las unidas, inclusive ao aceitar a transsexualidade de seu filho caçula. E a incrivel batalha extendeu-se também a simpática Rosalva, que virou até cambista no Paraguai para poder comprar um computador para seus filhos e juntar dinheiro para transformar a sua filha numa estrela da tevê, proporcionando à ela o prazer de ver nas luzes a valorização de uma vida dura e sem perspectiva, assim como fez Maddalena no filme italiano Belissima.
E falando em Belíssima, este foi o título de sua mais recente obra, que mostrou com delicadeza os tantos anos de siêncio de Katina, a grande mãe da novela, que guardou para si o segredo da paternidade de seu filho mais velho em troca de manter o equilíbrio de sua família, que por si só já era um feito: sangue grego e turco sob o mesmo teto! E em nome desse teto engoliu desaforos da ex-amante de seu marido. Desaforos que Ana Carvalho também engoliu em A Próxima Vítima. Mas desta vez não eram desaforos da amante se seu companheiro, mas sim de sua verdadeira mulher, já que a própria Ana era a outra. E foi a “outra” por 20 anos, mantendo seus filhos sob suas asas e fazendo o papel de
pai também, mantendo inclusive diálogos abertos com seus filhos sobre sexo e homossexualidade, em cenas que emocionavam o país. E assim constituíu sua família em cima de um terreno que poderia explodir a qualquer momento, que bem como dizia Dona Armênia, de Rainha da Sucata e Deus nos Acuda, tudo poderia ficar “na chon”. Dona Armênia foi o exemplo de mãe protetora, coruja, de coração enorme, a ponto de constrager os filhos!Rodrigo Guidotti cursa Letras na Universidade de São Paulo… mas quer ser jornalista!












Kirsten na rehab e o final sanguinolento.
Chega Trey e finalmente a temporada começa a engrenar!
Episódio cheio de incoêrencias sobre espaço/tempo e o beijo-clichê-antológico de Summer e Seth :)
Trilha-sonora legal e... eu aceitaria a oferta da Summer no leilão!
Porque todos temos o direito de levar uma vida fútil.